Sistemas de Informação e Comunicações

Como capitalizar a localização geográfica dos Açores no âmbito dos avanços nas tecnologias de informação e comunicação?

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Desenvolvimento de uma Economia TIC: Capitalizando sobre a Localização Geográfica dos Açores
Elvino S. Sousa
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Elvino S. Sousa

Desenvolvimento de uma Economia TIC:
    Capitalizando sobre a Localização Geográfica dos Açores

As Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) são reconhecidas como as principais tecnologias estratégicas por parte da maioria dos governos nacionais e regionais em todo o mundo. Reiteradamente, este sector é colocado perto do topo em termos de prioridade para o investimento e inovação. A questão então é saber se os Açores, em virtude da sua localização geográfica, tem ou não todos os atributos que podem ser capitalizados, de modo a maximizar o seu potencial para o sucesso? Ou para colocar a questão de uma forma diferente, somos capazes de identificar tais atributos? A questão pode estar relacionada com o desenvolvimento da economia regional através de pequenas empresas TIC ou com a instalação estratégica de nós principais de uma infraestrutura TIC global.

Não estou em posição de fornecer uma análise formal e completa desta questão. No entanto, vou avançar com algumas reflexões baseadas na minha experiência ao longo dos anos no domínio das TIC e na minha conexão pessoal com os Açores, incluindo uma recente viagem aos Açores (escala de 10 dias) no verão passado. Mesmo que a questão se refira às TIC, vejo-me obrigado a comentar algumas deficiências que envolvem o transporte aéreo e a acessibilidade em geral na Região.

O mundo de hoje é caracterizado pelo potencial em termos de comunicação humana e interação entre grandes distâncias facilitada pelas tecnologias em discussão - TIC, especificamente a Internet. Tem sido dito muitas vezes que essas tecnologias transformam o mundo numa aldeia global, no sentido em que as distâncias geográficas deixam de ser um fator ou impedimento para a comunicação e a colaboração entre os povos. Há a questão remanescente de diferenças de fuso horário - por exemplo, colaboradores na América do Norte com os seus homólogos na Índia; no entanto, em certo sentido nós aprendemos a introduzir ciclos de trabalho para superar essas diferenças. Mas, apesar de a comunicação ter sido facilitada, ainda temos a necessidade de nos encontrarmos pessoalmente para uma interação direta e esta implica o transporte aéreo.

Apesar dos enormes avanços em telecomunicações, onde um único indivíduo com pouca despesa pode montar, por exemplo, a cobertura ao vivo de um festival local e trazê-lo para uma comunidade em terras distantes, estamos viajando mais do que nunca. Portanto, está claro que, para a localização geográfica ser um fator positivo no desenvolvimento económico das TIC de uma região, então, em certa medida, este fator deve estar relacionado com duas coisas: 1) características geográficas atraentes que fazem do local uma experiência agradável e única para visitar ou viver (incluindo o clima, custo de vida, etc.); e 2) a facilidade no transporte de e para uma região que facilite o desenvolvimento de fortes relações comerciais externas.

No caso dos Açores, as duas principais áreas com grande potencial de interação são a Europa e a América do Norte. Uma questão fundamental que precisa ser abordada é a da acessibilidade e das barreiras para viajar. Para facilitar a interação, precisamos refletir sobre uma noção geral de distância entre os lugares, que incorpora não apenas a distância física, mas também fatores relacionados com a facilidade de viagem, tais como a regularidade dos voos, tarifas estáveis e outras condições que satisfazem as expectativas dos viajantes de negócios na Europa e na América do Norte, incluindo a necessidade dos locais interagirem com o exterior, especialmente as ligações a Lisboa e o importante gateway para a Europa.

Em termos de distância física da América do Norte, os Açores estão mais perto do que, por exemplo, o Havaí, mas é mais longe em termos da noção mais geral de distância. Voos da América do Norte para os Açores têm sido prestados, ao longo dos anos, por duas ou três companhias charter, e mais recentemente, têm sido cada vez mais reduzidos a uma - SATA. Ao longo dos anos, a viagem da diáspora tem sido na maior parte para férias, e a experiência típica nestas comunidades é que, quando termina a época do Natal, é hora de começar a reserva de voos e planeamento das férias de verão – ou a pessoa perde a disponibilidade em termos de datas e tarifas razoáveis. Em termos de disponibilidade e custo, há grande variabilidade de ano para ano. Além disso, do ponto de vista dos açorianos residentes, a ligação a Lisboa parece ser um constrangimento em termos de acessibilidade para a Europa.

Esta questão pressupõe que a interação de açorianos com as comunidades externas, seja na Europa ou na América do Norte, é desejável para além das férias. A fim de facilitar o transporte, a "distância" tem de ser encurtada. Olhando para o futuro, de forma positiva, parece que a SATA está agora em condições de colaborar com a TAP para aproveitar a crescente importância da TAP devido ao seu hub de Lisboa com aparceira Star Alliance. Ao longo dos anos, tenho viajado regularmente para Lisboa, mas geralmente através de Londres. Este verão passado apanhei o meu primeiro voo para Lisboa através dos Açores (Star Alliance). No entanto, o facto de que se poder viajar Toronto-Lisboa (através dos Açores) na Star Alliance não parece ser amplamente conhecido.

O meu voo operado pela SATA foi agradável e, claro, uma grande melhoria em relação com a velha maneira de viajar para Lisboa através de um hub europeu. Ainda encontrei algumas falhas que não estão no espírito de encurtar a distância. Privilégios de passageiro frequente, que tendem a ser padrão na indústria para quem viaja a negócios, não parecem ser amplamente aplicados no voo de code-share. Há também diferenças entre um voo SATA ou um voo SATA Internacional. Os limites de bagagem de 20 kg dentro dos Açores para alguém que está com desvantagem na compra de um voo internacional constituem falhas que contribuem para as barreiras e distância discutidos anteriormente.

Outro aspeto da acessibilidade é o da adaptação após a chegada ao local; no mundo de hoje, o mais importante é fazer com que as telecomunicações funcionem logo, sem incorrer em grandes tarifas de roaming, e ter um bom acesso para aluguer de carros, hotéis e restaurantes. Na maioria dos casos, toda a infraestrutura parece estar em ordem nos Açores e atende as normas exigidas. A cobertura sem fio nos Açores para a Internet de alta velocidade foi muito boa e não houve problema em manter-me conectado. Por outro lado, outras barreiras surgiram. Os multibancos em Portugal não aceitam cartões de crédito para "carregar" o cartão SIM de telemóvel; é necessário ter uma conta bancária local para beneficiar da conveniência de carregar os cartões num multibanco. Como resultado, em São Miguel, parece que há poucos lugares em toda a ilha para carregar o SIM sem ser numa loja de telemóveis, num centro comercial em Ponta Delgada.

A minha experiência nos Açores, depois de muitos anos afastado, foi em geral positiva. Foi agradável andar e conduzir na Graciosa e São Miguel, com as vistas fantásticas viradas para o oceano, foi inigualável em relação à maioria dos lugares que visitei no mundo - são tudo características atrativas para os visitantes e residentes. Os Açores também têm uma infraestrutura rodoviária boa, bons sinais (exceto, talvez, depois de sair de Ponta Delgada) e boa comida. A Graciosa, obviamente, mudou muito ao longo dos anos, mas uma impressão duradoura que me deixou uma sensação um tanto nostálgica, foi o decréscimo da população, exceto em julho para as Touradas. Este decréscimo pode estar relacionado com as condições económicas desfavoráveis em Portugal e nos EUA, mas poderá também ser devido às questões de acessibilidade referidas, acumuladas ao longo dos anos.

O futuro de uma região depende dos jovens e, neste sentido, a educação é a chave. Eu não tive a oportunidade de visitar as escolas, mas, voltando ao tema TIC, a educação é uma área onde o investimento nunca é excessivo. Existem alguns componentes que são fundamentais para o desenvolvimento das atividades de TIC numa região: 1) o desenvolvimento de talentos locais através da educação e especialmente o bom acesso à matemática e à educação científica a todos os níveis, incluindo as escolas, escolas técnicas e universidades; 2) atrair estrangeiros para várias atividades, incluindo conferências de curto prazo, licenças sabáticas, escolas de verão, instalações científicas internacionais, estações terrenas de satélite, filiais de empresas estrangeiras, centros de suporte técnico, data centers e TIC em fase de arranque facilitadas por interações externas.

É importante facilitar o acesso a todos os níveis de ensino para os estudantes açorianos, localmente ou externamente, caso um programa local não exista numa determinada área. Não há muito tempo, havia poucos portugueses em conferências internacionais, mas ao longo dos anos a participação portuguesa nessas conferências tem aumentado consideravelmente, incluindo muitos estudantes de pós-graduação de universidades portuguesas - em grande parte por causa do envolvimento de pesquisadores portugueses nos programas europeus. Como país, Portugal é agora, considerando o seu tamanho, bem representado nessas conferências e noutras atividades científicas internacionais. Não está claro que os alunos açorianos e investigadores estejam participando no mesmo grau em relação ao país, e deviam ser encontradas formas para os açorianos terem maior acesso a estes programas. No final, esse acesso levará ao desenvolvimento de competências que é o mecanismo para estimular atividades de TIC e capitalizar o potencial da Região.

Olhando para o futuro, consideremos instalações internacionais de TIC. Uma possibilidade é a instalação de centros de dados que aproveitem a localização dos Açores. Centros de dados tornar-se-ão cada vez mais importantes para apoiar a Internet do futuro. Esses centros serão cada vez maiores em termos de capacidade de armazenamento de dados e terão alguns atributos: o uso de grandes quantidades de energia para a operação e refrigeração, robustez face às ameaças de segurança, incluindo as catástrofes naturais e as provocadas pelo homem, segurança, locais estratégicos para facilitar a ligação a redes de grande capacidade de backbone, servindo os mercados, como a Europa e a América do Norte, de preferência estrategicamente localizados para compensar os atrasos de transmissão (latência), tal como será exigido pela futura indústria financeira e possível localização estratégica por razões de jurisdição legal.

Alguns dos atributos anteriormente referidos podem favorecer a localização dos Açores, enquanto que outros podem desfavoráveis. Por exemplo, locais mais frios podem ser preferidos para minimizar os custos de refrigeração. O custo da energia disponível pode ser um problema, ou a disponibilidade de uma fonte de energia independente (geotérmica) pode ser um fator positivo em termos de robustez e independência. A localização dos Açores, entre a Europa e a América do Norte, tem uma vantagem na criação de nós de infraestrutura mundial que sejam robustos e independentes. As possibilidades em termos de atributos decisivos são numerosas, e os Açores têm características geográficas únicas. A localização dos Açores foi importante nos primeiros tempos das viagens aéreas transatlânticas, funcionando como ponto de abastecimento. Também foi importante na instalação inicial de cabos de telecomunicações submarinos. É bem possível que, no caso dos centros de dados, ela possa voltar a ser importante por qualquer um dos motivos anteriormente referidos ou outros.

Para resumir, podemos olhar para as TIC a partir de duas perspetivas: 1) em termos gerais, como um componente da economia da região; 2) como um local estratégico para instalações científicas ou industriais específicas que se tornem um elemento chave na infraestrutura mundial. No âmbito do primeiro, identificamos a melhoria do transporte aéreo como uma questão importante, a fim de encurtar a "distância", e em termos do segundo identificamos os centros de dados como uma possibilidade. Estas são apenas algumas observações informais que não pretendem fazer justiça completa à questão colocada. A localização dos Açores foi importante em termos de transporte como ponto de passagem entre a Europa e as Américas. Com o desenvolvimento de tecnologias de transporte, esta importância foi dissipada na última parte do século XX. Estamos agora no estágio inicial de uma implantação massiva de infraestruturas globais de TIC. As TIC constituem uma componente importante na maioria das economias desenvolvidas e emergentes e o potencial de impacto sobre a economia dos Açores não é exceção. Por outro lado, o mundo interconectado emergente terá grandes infraestruturas cuja localização estará dependente de critérios bem diferentes dos critérios adotados para o desenvolvimento dos nós de transporte no mundo do século XX. Atualmente, temos um vislumbre de algumas das possibilidades, mas muitas outras poderão surgir à medida que avançamos na era das TIC.

Elvino S. Sousa
Toronto, Canada
Janeiro 10, 2012

Açores – Centro Internacional de Negócios! Está na Hora!
David N. Tavares
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David N. Tavares

Açores – Centro Internacional de Negócios!
    "The Right Time Is Now!" – Está na Hora!

Sejam quais forem as teorias ou opiniões sobre a descoberta dos Açores, sobre datas e personalidades que encontraram e povoaram as nove ilhas de exuberante paisagem verde, cada uma delas portadora de características próprias e únicas, todas belas e inconfundíveis nas suas típicas diferenças, muito ricas em recursos naturais e humanos, uns e outros de fazer inveja a qualquer outro sítio e a qualquer outro povo, ninguém pode contestar que o Arquipélago, desde que conhecido, sempre foi, é e continuará a ser um lugar estratégico, suscetível de maior e melhor aproveitamento!

Utilizado como ponto de referência pelos navegantes para descanso e abastecimento, que mereceu até, segundo se diz, a visita de Cristóvão Colombo; utilizado e explorado por povoadores, e não só, que do território e da sua gente se serviram em nome de direitos usurpados, os Açores também registam, na sua História, factos e momentos dignos da maior glória!

Outrora esquecidos e abandonados, por interesses e conveniências e por dificuldades resultantes da sua situação geográfica, o certo é que esta mesma localização tem sido, igualmente, fator determinante, na guerra e na paz e tem sido um laboratório de saberes empíricos e científicos, em áreas como a meteorologia, vulcanologia, sismologia, termalismo e em atividades de âmbito marítimo e aéreo. A propósito, recorde-se a importância que os Açores tiveram na "Primeira Travessia Aérea do Atlântico Norte", em 1919, levada a cabo por Albert Cushing Read, a partir de Tregassey Bay, Terra Nova, em 16 de Maio, tendo passado pela Horta a 17, amarado em Ponta Delgada a 20 e chegado a Lisboa a 27 desse mês e ano! Entretanto, veja-se, mais recentemente, o que está a acontecer nos domínios da microbiologia marinha e no apoio à exploração do espaço!

Por outro lado, quanto não há-de relevar sobre os contextos da política, da economia, da emigração?!

Se a importância dos Açores tem sido altamente reconhecida por diferentes quadrantes e em diversos sectores, que desafios se põem, hoje, à sua terra e às suas gentes, agora mais desenvolvidos, mais prósperos, na senda de outras potencialidades e novas oportunidades?!

Os Açores, no contexto mundial, nomeadamente no âmbito das relações Europa-América, e vice-versa, e até África, detêm, atualmente, uma redobrada importância estratégica, não apenas militar, que, devido às novas tecnologias, encurtam distâncias e aproximam pessoas e lugares.

Por isso, é importante e urgente que o Arquipélago desperte para o seu vasto potencial! Está na Hora! Há que saber aproveitá-la em todas as vertentes possíveis! Neste sentido, são duas as áreas de particular relevo que nos parecem ser essenciais: as dos transportes aéreos, como factor de mobilidade fácil, rápida e atempada, e a de entreposto, ou melhor, a de centro de negócios, como ponto nevrálgico de encontro de empresários e de quantos com eles se relacionam!

A uma distância de duas horas de Lisboa, a pouco mais do que isso de Newfoundland, Terra Nova, Canadá e a cerca de quatro horas de Boston, os Açores podem e devem ser a base da modernidade, do progresso, do novo desenvolvimento! Transportes frequentes, de custo razoável, seguros e confortáveis seriam a garantia da convergência e da realização de altos negócios, que acarretariam proventos financeiros, turísticos e muitos outros benefícios! Quanto às infra-estruturas rodoviárias existentes, podemo-nos orgulhar de serem das melhores da Europa!

Continuar a apostar no "turismo da saudade" é inevitável e continuar a granjear a simpatia de nacionais e estrangeiros é imprescindível, porém urge inovar e ter a ousadia e a aventura de procurar e atrair outros públicos, o que, por si só, constituiria "marketing" da Região e traria valor acrescentado, em termos económicos, financeiros e culturais!

Os Açores bem que podem vir a ser a Singapura da Europa e da América! Para o Arquipélago podem convergir as Sedes de pequenas, médias e, sobretudo, grandes empresas, com os correspondentes "Staff", o que possibilitaria a fixação de população altamente qualificada e movimentaria um fluxo financeiro assinalável, para além de outros benefícios, natural e obviamente, daí decorrentes, como os de hotelaria e restauração, transportes e serviços diversos!

Por experiência própria, por amor aos Açores e por acreditar que a atividade pode ser rentável, nós, que nos atrevemos a criar, em São Miguel, uma sucursal da GlobeStar Systems/Connexall, uma empresa do Canadá que trabalha em "e-learning", mas que implica deslocações e reuniões presenciais, damos conta de algumas dificuldades, mas também testemunhamos, já, sucessos que comprovam quanto os Açores podem ganhar com a criação de condições propícias e favoráveis, para que verdadeiramente sejam uma referência no Mundo dos Negócios.

"The Right Time Is Now!" – Está na Hora!

Isto é uma pergunta excelente e feita de maneira a reforçar o positivo
Armando Pereira, Helder F. Antunes
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Armando Pereira
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Helder F. Antunes

Isto é uma pergunta excelente e feita de maneira a reforçar o positivo – em vez de ser enquadrada como uma questão de não se poder superar as dificuldades da insularidade.

Historicamente a prática de comércio necessitava a entrega física de um produto entre um fornecedor e um comprador. É claro, o fornecedor poderia ser um produtor, um fabricante, um comerciante ou qualquer outra pessoa na rede de valor. Com a era da Internet agora em plena atividade, a dinâmica entre lojas tradicionais, e-commerce, e profissionais independentes continua a evoluir e a adquirir novas definições. Todos estes agentes profissionais agora têm acesso à Internet (com níveis diferentes de sofisticação) e procuram os melhores mecanismos de apresentar, anunciar, promover e entregar os seus produtos.

Como é de conhecimento geral, os Açores estão ligados - entre as ilhas e para o resto do mundo – por uma rede submarina de fibra ótica de banda larga e com acesso ao aderente via DSL ou FTTP. Isto por si permite-nos responder a esta questão com uma gama de opções muito maior. Independentemente do modelo de exploração desta rede e da política de preços para cada cliente, esta rede deve ser considerada como uma grande solução dos desafios apresentados pela localização geográfica dos Açores.

Pura e simplesmente, tudo o que for possível ser feito exclusivamente via da Internet pode ser feito em qualquer ilha dos Açores sem nenhuma desvantagem competitiva. Todos compreendemos que o dia a dia de negócio – chamadas telefónicas, conferências (com e sem vídeo), troca de documentos – pode ser feito facilmente em qualquer ilha sem desvantagens geográficas. É claro que a situação é bem diferente quando se trata de um negócio com produtos tradicionais que necessitam de transporte para ligar o fornecedor ao consumidor.

O uso da tecnologia VoIP por cada empresa facilita todos os serviços mencionados anteriormente, permitindo ligações entre escritórios, fábricas e parceiros com um mínimo custo mensal. Hoje em dia, e usando uma simples ligação de banda larga, pode-se falar, ver, e trocar informação entre grandes distâncias gratuitamente: por exemplo, o uso do Skype. Além disso, há as soluções de "unified communications" que permitem transmissão de voz / vídeo e dados com muita eficiência e baixo custo dentro de uma rede. E ainda mais, soluções como o Webex, GotoMeeting e Cytrix permitem até estruturar uma empresa inteira com recursos humanos em áreas dispersas sem impacto na produtividade ou controle (gestão) das atividades.

É claro que, mesmo resolvendo este problema básico de comunicações entre empresas, os Açores enfrentam outros desafios. Desafios que são comuns através do mundo, tais como a questão de fusos horários. O negócio hoje em dia decorre num ciclo de 24 / 7 / 365, e as empresas têm que se habituar a gerir atividades, parceiros e mercados em diferentes fusos horários. E não só gerir como também beneficiar das diferenças.

Na nossa opinião, os Açores têm uma posição privilegiada porque o seu fuso horário (GMT -1) está "no meio" dos grandes blocos económicos do mundo: 1 ou 2 horas atrás da Europa; 4 - 7 horas à frente da América do Norte, e; só 5 – 8 horas atrás da Ásia. Usamos intencionalmente a palavra "só", e para darmos uma perspetiva neste tópico, podemos lembrar que o Silicon Valley está em grande desvantagem neste assunto: 8 - 9 horas atrás da Europa, e 12 – 16 horas atrás da Ásia.

Relativamente aos benefícios das diferenças horárias. Nós temos experiência de gerir empresas (e equipas) que estão seriamente separadas geograficamente. Quanto maior é a separação, maior é a possibilidade de ter a empresa (de um ponto de vista global) a operar mais horas, logo com maior presença no mercado e maior possibilidade de "tocar" no cliente eficientemente.

Tomássemos por exemplo o caso de uma empresa nos Açores com um escritório em Lisboa. Vendo a empresa do exterior um cliente pode contactar a empresa das 08:00 até às 18:00 dos Açores:

  • entre as 08:00 e as 09:00, o contacto pode vir do escritório em Lisboa;
  • entre as 09:00 e as 17:00, pode ser simultaneamente de Lisboa e Açores;
  • - ao fim da tarde, roda para os Açores até às 18:00.

O cliente telefona sempre para o mesmo número, e a tecnologia roda a chamada para o grupo que dá o atendimento sem o cliente saber da localização geográfica.

Isto é um dia de negócio de 10 horas porque a diferença horária é pequena. Para uma empresa cujo produto inclua assistência telefónica, a diferença horária transforma-se numa vantagem competitiva. Imagine-se agora uma empresa com escritório em Paris (2 horas), em Boston (4 horas) E ainda o caso do Silicon Valley e a Ìndia – a diferença de 12 horas permite uma atividade constante de 24 horas.

Soluções de tecnologia associadas a um estilo flexível de gestão produzem vantagens competitivas no mercado que identificam uma empresa perante os seus clientes.

Voltando agora à questão de como capitalizar a posição geográfica dos Açores. Até haver uma solução da capacidade, frequência e preço dos transportes aéreos e marítimos, o único setor em que os Açores correntemente não têm nenhuma desvantagem é em setores que o "produto" não seja físico. Por exemplo:

  • Serviços de consultadoria – "Know how" que é distribuído via internet:
    • Reuniões que podem ser feitas via conferência na Internet;
    • Formação de profissionais;
    • Educação / aulas de alunos primários e secundários (distance learning).
  • Software – produtos que podem ser "downloaded" via Internet:
    • Desenho de websites;
    • Jogos;
    • Programas de gestão, base de dados.
  • Suporte técnico especializado:
    • Suporte de IT com acesso remoto;
    • Centros de assistência técnica;
    • Call centers.
  • Desenho técnico e/ou gráfico:
    • Desenho gráfico para publicidade;
  • Desenho de produtos usando soluções de SaaS, ou ASPs também oferecem oportunidades únicas para os Açores.

É claro que há um elemento a considerar nesta discussão: como estabelecer as relações com clientes que permitem este nível de cooperação e estilo de trabalho. Os mercados de trabalho no estrangeiro usam vários mecanismos, mas todos são direcionados a marketing, divulgação e aceitação das empresas. No Silicon Valley, há um calendário de eventos semanais muito ativo, todos com o objetivo de aproximar empresas. Os eventos são quase diários, geralmente depois do trabalho e antes da hora de jantar. Por exemplo:

  • Câmaras de comércio promovem reuniões que permitem a apresentação de novas companhias à comunidade;
  • Clubes de alunos já formados e ativos no mercado profissional (universidades de MIT, Stanford, Santa Clara) promovem reuniões mensais sobre tópicos diferentes (tecnologias, gestão, financiamento);
  • Grupos profissionais (IEEE, Communication Society, Civil Engineers) promovem reuniões para discutir temas de interesse específico para os seus membros;
  • Firmas de advogados fomentam reuniões para discutir novas leis sobre impostos, financiamento.

Também há grupos cujo negócio é promover estes encontros- e, para além da reunião, oferecem "life-long continuing education". Esta atividade constante proporciona um ambiente de grande discussão e troca de ideias.

Enfim, estamos mais familiarizados com o que acontece nos EUA. Mas como podem ver a atividade é constante. Além disso, as empresas têm indivíduos sempre a explorar mercados e a estabelecer / desenvolver relações com clientes. Estas pessoas, designadas por Business Development, são relevantes e muito uteis empresas e têm uma atividade muito distinta da atividade de vendas. Um vice-presidente de Business Development atua como um mini-presidente, representando a empresa no processo de encontrar possíveis parceiros, empresas para comprar ou fundir, assim como contactos que podem ser vantajosos para o departamento de vendas. Toda esta atividade permite depois um relacionamento e um desenvolvimento de projetos alinhados com o plano estratégico da empresa.

Tudo isto são ideias – e existem muitas mais – que permitem lançar empresas nos Açores sem se sentir nenhum impacto devido à localização geográfica baseado no uso de tecnologias de informação e comunicação.

Também discutimos acima como estruturar a empresa para até permitir uma distribuição geográfica (equipa de trabalho em várias ilhas) sem o mínimo impacto na eficiência de trabalho – usando um sistema de comunicação baseado em VoIP, a empresa pode manter facilmente o mesmo nível de contacto entre pessoas quase como se estivessem no mesmo lugar.

Esperamos que esta discussão tenha respondido cabalmente à questão colocada na Rede Prestige. Estamos também disponíveis para continuar a desenvolver este tópico via email ou conferência.

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