Na Universidade dos Açores, em declarações aos jornalistas, após ter recebido a distinção do doutoramento honoris causa, Craig Mello disse que “não é o sucesso que só por si interessa, mas a atitude de o perseguir. Não é o destino que importa, mas a caminhada. Todas as pessoas que perspectivem esta caminhada devem compreendê-la como uma forma feliz de estar na vida. Para os meus bisavós, e o meu avô Frank Mello, uma grande parte desse propósito foi saberem que os seus filhos e netos tiveram oportunidades que eles nunca tiveram“.

Sobre a finalidade e o propósito da ciência, Craig Mello declarou acreditar que “o propósito final da vida é compreendermos a nossa caminhada. Compreendermos de onde viemos e o nosso passado, ajuda-nos a compreender todos os nossos possíveis futuros com mais clareza, para que possamos empenharmo-nos de forma mais inteligente em tornar o mundo melhor. Acredito que é este o objetivo da ciência”.

A Universidade dos Açores atribuiu o doutoramento 'honoris causa' em Bioquímica e Biologia ao investigador norte-americano Craig Mello, bisneto de açorianos, que ganhou o Prémio Nobel da Medicina em 2006. 

Craig Mello, professor de Medicina Molecular na Universidade de Massachussets  e investigador do Instituto de Medicina Howard Hughes, em Maryland, é graduado  em Bioquímica pela Universidade de Brown e doutorado em Biologia Celular  e do Desenvolvimento pela Universidade de Harvard.  

Em 2006, conjuntamente com Andrew Fire, recebeu o Prémio Nobel da Medicina pela descoberta do mecanismo fundamental para o controlo dos fluxos de informação genética, que pode ajudar a explicar algumas doenças, entre as quais alguns  tipos de cancro. 

A Universidade dos Açores decidiu atribuir-lhe o grau de doutor 'honoris  causa' por esta descoberta, tendo sido apadrinhado na cerimónia realizada  em Ponta Delgada por Maria Leonor Medeiros, professora catedrática de Bioquímica  do Departamento de Ciências Tecnológicas e Desenvolvimento. 

Na primeira vez que visitou os Açores, em julho de 2009, Craig Mello  deixou no arquipélago o diploma e a medalha do Prémio Nobel, numa iniciativa  destinada a "inspirar os jovens açorianos a estudar ciência". 

Na altura, admitiu que o conhecimento que tinha do arquipélago resultava apenas das "histórias" que ouviu do avô e do pai, recordando que o bisavô "depois de ter saído dos Açores, nunca mais voltou". 

O bisavô de Craig Mello, Eugénio Castanha de Mello, nasceu na freguesia  da Maia, em S. Miguel, e emigrou para os EUA no início do século XX.

 

Fonte - (Antena1 Açores/Lusa/RTP A)

 

Ver reportagem RTP/A sobre a cerimónia de entrega aqui

Ouvir um excerto do discurso de Craig Mello aqui