Manuel Lima é uma voz activa na área da visualização de informação, tendo falado em inúmeras conferências, festivais, e universidades em todo o mundo, tais como TED, Lift, OFFF, Eyeo, Ars Electronica, IxDA Interaction, Harvard, MIT, Royal College of Art, NYU Tisch School of the Arts, ENSAD Paris, University of Amsterdam, MediaLab Prado Madrid.

O seu trabalho foi mencionado em diversas revistas e jornais, incluindo WIRED, New York Times, Science, BusinessWeek, Forbes, Fast Company, Creative Review, Eye, Grafik, Étapes, El País, Visão, Expresso, e Diário de Notícias.

O seu primeiro livro “Visual Complexity: Mapping Patterns of Information”, lançado em 2011, foi desde então traduzido para Francês, Chinês, e Japonês. O seu mais recente livro, “The Book of Trees: Visualizing Branches of Knowledge”, publicado em Abril de 2014 pela Princeton Architectural Press em Nova Iorque, explora mais de 800 anos de cultura visual através da figura da árvore, desde as suas raízes na exegese medieval até muitas das suas ramificações contemporâneas, seculares e digitais.

Com mais de 10 anos de experiência na criação de produtos digitais, Manuel Lima trabalhou para a Microsoft, Nokia, R/GA, e Kontrapunkt. Manuel licenciou-se em Design na Faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa e em 2005 completou o mestrado em Design e Tecnologia na Parsons School of Design, em Nova Iorque.

Para este propósito recebeu três bolsas de estudo, respectivamente da Fundação Calouste Gulbenkian, Fundação Luso-Americana, e a bolsa do Reitor da Parsons School of Design. Durante o mestrado, Manuel Lima trabalhou com o Siemens Corporate Research Center, American Museum of Moving Image, e Parsons Institute of Information Mapping em projectos de investigação para a National Geo-Spatial Intelligence Agency.

Numa entrevista cedida recentemente (Maio de 2014) à Revista, do Expresso, Manuel Lima explica porque razão alguém que se notabilizou na área do design escreve sobre as árvores e o conhecimento: “Durante a pesquisa para o meu primeiro livro, “Visual Complexity: Mapping Patterns of Information”, descobri a fabulosa história da árvore como ferramenta de comunicação e decidi fazer outro sobre este fascinante modelo de visualização. Utilizei o método da engenharia reversa para recuar oito séculos, que regressa no tempo e encontra as bifurcações até à origem comum. Assim conseguimos um mapa evolutivo e percebemos melhor o contexto e as principais condicionantes de um modelo”.

A Christiana Martins, este açoriano, Manuel Lima, explica como as árvores são centrais na organização do pensamento. Questionado sobre se a estrutura de árvore continuará a ser utilizada no futuro para organizar a informação, Manuel Lima salienta que não tem qualquer dúvida. “No livro podemos ver como a primeira imagem, de 1202, e a última, de 2012, embora separadas por mais de 800 anos e temas completamente distintos, continuam unidas por este arquétipo. Mais importante foram os modelos de árvores que surgiram posteriormente, alguns apenas na última década, com um estilo mais abstracto, perdendo muitos dos seus embelezamentos. E alguns dos modelos contemporâneos são fundamentais na visualização da informação”.

Quanto à utilização da árvore em vez de outros símbolos, Manuel Lima explica que “o ser humano tem uma relação muito especial com a árvore. Embora rodeados de vidro, ferro e asfalto, durante milénios dependemos das árvores como fonte de comida, abrigo, energia, materiais, armas para sobreviver. Esta relação simbiótica poderá explicar porque é quase impossível encontrar uma religião ou civilização que não tenha alguma veneração por árvo-res. Na Suméria antiga acreditava-se numa árvore sagrada que vivia no paraíso e era protegida por uma serpente. Conceitos semelhantes abundam nas principais religiões e podemos ver a mesma ideia na América Latina. Os maias, por exemplo, acreditavam numa árvore sagrada, que unia três mundos (subterrâneo, terrestre e celeste)”.

O seu mais recente livro é considerado mesmo “um compêndio” escrito por um açoriano, que mereceu críticas generosas em várias revistas internacionais. “New Scientist”, “Wired”, “Fast Company” elogiaram “The Book of Trees: Visualizing Branches of Knowledge” (“O Livro das Árvores: Visualizando Ramos do Conhecimento”), livro lançado em abril por Manuel Lima, escolhido em 2009 como uma das 50 pessoas mais criativas e influentes do mundo pela revista norte-americana “Creativity”.

Quanto às críticas, e ao facto de estar a receber tantas críticas, tão positivas, acerca do seu mais recente livro, este açoriano explica que o mesmo “conta uma história até agora desconhecida, revelando a evolução de uma das metáforas visuais mais populares de sempre, que resistiu a guerras e catástrofes e sobreviveu à ascensão e declínio de inúmeros impérios. E porque desmistifica a atual tendência para sobrevalorizar o imediato e o novo, através de uma reflexão séria sobre o trabalho de visualização vanguardista e inspirador desenvolvido no passado.

Mas há também quem o chama de “inconformado”. Na Visão de 5 de Junho do corrente ano, na rubrica “Radar Visão Exclusivos”, é referido que o percurso de Manuel começou “com um falhanço”. Desde pequeno que Manuel Lima, hoje com 36 anos de idade, mostrou, segundo refere a sua mãe, grande curiosidade fora do normal. “Sempre viajámos muito e ele manifestava grande interesse pelos museus, pela arquitectura das cidades. Além disso revelava uma vontade de fazer sempre mais e melhor, mesmo apesar de ter sido bom aluno a vida toda. Na prova de acesso à Universidade, a mesma não correu de feição e Manuel acabou por não conseguir seguir Arquitectura, mas sim Design de Arquitectura, onde teve uma carreira de sucesso e onde foi considerado uma das mentes mais criativas e influentes”.

Segundo a mesma publicação “terá sido a persistência que permitiu a Manuel Lima mergulhar em livrarias e museus de todo o mundo (quase sempre virtualmente), para reunir a informação e as belíssimas imagens que enchem o seu novo livro”, o que segundo o autor representou um ano de trabalho intenso.

Manuel Lima nasceu em São Miguel, estudou em Lisboa e Estados Unidos da América, estagiou na Dinamarca, trabalhou em Londres e acabou em Nova Iorque. Segundo contou à Visão, “Sempre que a vida parecia confortável, salto para outra aventura. Deixei um emprego promissor na Nokia (quando esta era líder de telemóveis) para me dedicar, por seis meses, à escrita do meu primeiro livro. Em 2011 mudei-me para Nova Iorque e fui contratado pela Microsoft, liderando o grupo de designers do Bing. Com um bom salário, numa empresa conceituada faltava-me o desafio e fui procura-lo numa “start-up” com dez funcionários, a Code Academy, sendo que um ano depois, a empresa de formação à distância tem trinta funcionários e 24 milhões de utilizadores”.

Segundo Manuel Lima, “o mais difícil de tudo é transformar a informação em conhecimento”, mas é mesmo isso que o autor pretende com o seu “Livro das Árvores”, escrito em inglês, onde faz um elogio do diagrama da árvore como forma de apresentação da informação. De Charles Darwin aos judeus seguidores da Cabala ou aos budistas, a apresentação em árvore tem sido uma utilização transversal no tempo e no espaço.

Já no que diz respeito ao site que criou, o Visual Complexity, Manuel Lima, segundo a Visão, “mostra sistemas em rede, como os do metro de Londres, por exemplo, ou as ligações mundiais do Twitter. Ver o mundo em diagramas ajuda a perceber muita coisa. Por exemplo, o impacto do sismo do Japão nesta rede social”. Manuel Lima passa grande parte do seu tempo em palestras ou a orientar workshops – sendo que esteve recentemente em Lisboa na Fundação Champalimaud – mostrando a cientistas ou gestores de que forma o tratamento da informação pode ajudar a resolver problemas.

Á nossa reportagem, Manuel Lima salientou ainda que em relação aos seus livros, embora não saiba ao certo se estarão disponíveis em livrarias açorianas, pensa que será possível encontrá-los em alguns websites nacionais, como fnac.pt ou wook.pt. Quanto a convites para apresentar o seu trabalho nos Açores, Manuel Lima diz que já teve um convite para ir até ao Faial e dois para São Miguel (um dos quais pôde comparecer em 2009).

Fonte: www.correiodosacores.info