Alfredo Passos, conselheiro da Rede Prestige Azores, é natural de São Paulo, capital económica do Brasil, onde é professor na Escola Superior de Propaganda e Marketing.

É um especialista em Inteligência Competitiva desde os anos 1990, tendo já quatro livros publicados sobre esta matéria. Estratégia, competição, comportamento do consumidor e marketing são as áreas onde centra o seu trabalho na empresa KMC, sigla de Knowledge Management Company, que dá aconselhamento a muitas das 100 maiores empresas do Brasil.

A Rede Prestige reúne uma série de conselheiros açorianos, descendentes ou ainda com ligação à Região, a quem são colocadas questões em várias áreas da ciência e tecnologia.

Neto de portugueses e ligado aos Açores através do Parque Tecnológico Nonagon, Alfredo Passos afirma que a grande mais-valia da Rede Prestige "é o conhecimento dos profissionais que a integram".

Durante esta semana, Alfredo Passos está em Ponta Delgada a dirigir um workshop sobre Inteligência Competitiva, no departamento de Economia e Gestão da Universidade dos Açores.

Em entrevista ao AO, falou desta 'arma' empresarial.

AO: De uma forma resumida, como podemos definir a Inteligência Competitiva nas Empresas?
A Inteligência Competitiva é uma metodologia e uma técnica para se antecipar movimentos da concorrência e do mercado.

Nos Açores, um mercado de pequenas e médias empresas muito vulnerável à concorrência externa, qual será a melhor forma de aplicar a Inteligência Competitiva?
Os mercados pequenos são, de facto, aqueles onde a concorrência internacional tem mais facilidade em entrar. Por isso, as empresas devem estar muito atentas, sobretudo à internet, que dá hoje a possibilidade às pessoas de fazerem compras em qualquer lado. Um ponto importante de reflexão na área da Inteligência Competitiva nos Açores é o da diferenciação. Os Açores precisam criar uma marca e mostrar a sua diferenciação no mundo, porque é hoje o que cada país e região procura fazer. E essa diferenciação passa por muitas áreas que entram também na própria cultura. Dou-lhe o exemplo dos Estados Unidos. A Boeing tem hoje 50 mil funcionários, enquanto os estúdios Disney empregam 130 mil. Veja: uma fábrica de aviões tem menos funcionários do que uma empresa de entretenimento tem hoje em dia. É desta forma que eu vejo também a economia açoriana: ela pode ser mais representativa em determinados setores como o turismo do que numa indústria tradicional.

É a segunda vez que vem aos Açores dar formação. Com que impressão ficou do que já teve oportunidade de conhecer?
É uma região com grande potencial, não somente em áreas como o turismo ou a agricultura, mas em novas áreas que, para mim, devem ser desenvolvidas como a da economia criativa. Olhemos para toda uma nova geração que vem pensando em negócios na área da moda, do design ou do software. São negócios que envolvem a internet, que são globais, que podem ser exportados e que, na verdade, não são de grande investimento. Vejo que é uma região de jovens criativos, que passaram pela Universidade e que têm potencial para gerar negócios internacionais.

Vem de um país, o Brasil, que está neste momento em franco crescimento. Portugal, pelo contrário, está em recessão, devido às dificuldades financeiras. Qual é, neste momento, a grande diferença entre os dois países?
No Brasil, é essencialmente a entrada no mercado de consumo de uma nova classe média de 52 milhões de pessoas que começou a comprar produtos das mais variadas espécies. Claro que isso provocou uma grande evolução na economia e tem trazido muitos ganhos ao Brasil, também em termos de produtividade.

As empresas brasileiras são mais competitivas do que as portuguesas?
Sem dúvida, porque houve uma mudança de mentalidade. A sociedade começou a exigir qualidade e isso gerou uma competição maior entre produtos e serviços. Havendo mais marcas, produtos e serviços, há mais comparação e, havendo comparação a escolha é mais rigorosa.

 Fonte: Açoriano Oriental (http://www.acorianooriental.pt/