NOVA YORK - Os estudantes interessados em fazer um programa on-line de MBA no quarto trimestre deste ano terão uma grande variedade de novas opções. Atualmente, um número crescente de escolas de negócio de segunda e terceira linha passa a oferecer esses cursos, ou ampliam suas presenças no crescente mercado da formação on-line.

As escolas esperam formar um nicho num mercado que rapidamente fica lotado, oferecendo aos alunos programas que incluem softwares sofisticados de videoconferência, ferramentas de mídia social e, em alguns casos, componentes obrigatórios de residência. Os novos programas surgem no momento em que o interesse pelos diplomas de negócios on-line cresce muito.

Um estudo recente sobre estudantes on-line conduzido pela Learning House e pela Aslanian Market Research, duas companhias envolvidas com consultoria educacional on-line, constatou que um terço dos quase 3 milhões de estudantes on-line buscam o diploma na área de negócios, de longe o campo mais popular. Ainda segundo o estudo, cerca de dois terços dos estudantes virtuais fazem cursos junto a instituições sem fins lucrativos, uma área em que muitos dos novos programas de negócios estão pipocando. Ao mesmo tempo, mais empregadores se mostram receptivos aos MBA on-line, uma vez que o diploma começa a perder parte do estigma que tinha no mercado de trabalho.

Com as inscrições em programas de MBA de período integral diminuindo, e sinais de que a desaceleração econômica pode estar piorando, muitos programas de escolas de segunda e terceira linha estão buscando maneiras inovadoras de reverter a tendência e manter a receita de mensalidades em crescimento. É o que diz Michael Horn, diretor executivo de ensino do Innosight Institute, um centro de estudos sem fins lucrativos de Mountain View, Califórnia.

“O custo da oportunidade para deixar o emprego provavelmente é maior para muitos estudantes que essas escolas normalmente atrairiam, portanto eles estão sentindo o aperto primeiro”, diz Horn. “O aprendizado on-line pode resolver esse problema. Ele possibilita oferecer a experiência educacional para os estudantes que ainda estão trabalhando e não estão com as mensalidades atrasadas, o que o torna melhor para todos”.

A Graziadio School of Business and Management da Pepperdine University, em Malibu, Califórnia, anunciou no mês passado o lançamento de um MBA on-line voltado para profissionais que já trabalham. O novo programa de dois anos inicialmente aceitará 25 alunos, mas a escola pretende em algum momento matricular 350 estudantes, afirma David Smith, reitor associado de assuntos acadêmicos da Pepperdine. O programa vai oferecer aos alunos a chance de realização de consultas a empresas em um ambiente virtual, permitirá interações valiosas entre os alunos e o corpo docente e exigirá uma residência de três dias.

“Sentimos que se fizermos isso bem, vai ajudar a fortalecer nossa marca e nossa reputação, além de ajudar nossos programas tradicionais e nos proporcionar uma forte presença de mercado”, acrescenta Smith.

A faculdade de negócios da Universidade George Washington vai oferecer um novo conjunto de quatro programas on-line no próximo ano acadêmico, incluindo um MBA e três mestrados especializados. A escola já oferece um MBA on-line na área de saúde há oito anos, mas quer ampliar as opções oferecidas para alcançar mais alunos da geração Y e estudantes que trabalham e querem estudar pela internet, afirma Liesl Riddle, reitora associada da escola para os programas de MBA.

O programa de MBA on-line praticamente copia muitas das características populares do programa de MBA em período integral da escola, diz Riddle. Para fazer isso, ele incluirá um programa de aconselhamento on-line, discussões do tipo mesa-redonda chamadas “MBA in Action”, e uma discussão mensal com líderes empresariais, políticos e professores, além de uma aula obrigatória de residência de quatro dias no campus da escola no Distrito de Columbia. Tudo isso, segundo ela, proporciona ao programa um “forte senso comunitário”.

Outras escolas que estão aderindo ao mercado de MBAs on-line incluem o Pan-American’s College of Business Administração da Universidade do Texas, a Whitmore School of Business and Economics da Universidade de New Hampshire, e o Thomas Edison State College de Nova Jersey.

Com mais competição, as escolas estão agindo de maneira preventiva no modo como comercializam seus programas para possíveis alunos. Por exemplo, a faculdade de negócios da Texas A&M University de Corpus Christi lançou um programa de MBA on-line no quarto trimestre de 2011, mas recentemente contratou uma firma de marketing para promover o programa nacionalmente, uma vez que o número de matrículas no ano passado não foi o esperado pela escola, diz o reitor Moustafa Abdelmasad.

“Antes de declararmos uma história real de sucesso, vamos esperar mais um ano para ver como as coisas vão se comportar”, diz Abdelmasad.

A questão agora é se os programas de MBA mais renomados decidirão em algum momento começar seus próprios programas de MBA on-line, conforme fez a Kenan-Flager Businss School da Universidade da Carolina do Norte no ano passado com o MBA@UNC. Várias escolas de negócios de primeira linha, como a Wharton, da Universidade da Pensilvânia, e a Darden, da Universidade da Virgínia, começaram a se envolver com a internet, firmando um acordo com Coursera, um empreendimento de ensino superior via internet iniciado por dois professores da Universidade Stanford, e passarão a oferecer vários cursos de negócios a partir do quarto trimestre.

Enquanto isso, Harvard e o Masschusetts Institute of Technology (MIT) lançaram recentemente a edX, uma iniciativa de aprendizado online de US$ 60 milhões, sem fins lucrativos, e começarão a oferecer aulas na plataforma no quarto trimestre, juntamente com a Universidade da Califórnia de Berkeley.

Por enquanto, parece que muitas das escolas de negócios de primeira linha estão tentando ganhar experiência, uma vez que a pressão para se ter uma presença online aumentou com o sucesso inicial de empreendimentos como o Coursera, diz Horn da Innosight.

“Elas viram esse sujeito de Stanford conseguir 150.000 matrículas para um único curso e estão dizendo: ‘Melhor fazermos algo e seguir os outros, pois pode haver algo aí’”, diz Horn. “Parece que algumas das escolas estão se movendo rapidamente, por sentirem uma necessidade em fazer isso, ao invés de começar com um grande projeto.”

Fonte/Autor: Bloomberg Businessweek | Valor, publicado no Blog Inteligência Competitiva e Gestão