Ao longo dos últimos anos foram vários os estrangeiros que decidiram avançar com investimentos em moradias e apartamentos para receber turistas que chegam à ilha de São Miguel.

Um sul africano, uma sueca, um italiano e um suiço... Podia ser o início de uma anedota, mas não é.
Tratam-se de quatro pessoas, entre dezenas, que trocaram o conforto dos seus países pelos ares de São Miguel. As suas histórias cruzam-se, não só por se terem deslocado para a ilha verde, mas também por terem decidido dedicar o seu tempo e trabalho ao alojamento local. Emilie Smith, natural de Estocolmo, recorda-se do tempo em que o seu pai viu uma fotografia dos Açores e ficou apaixonado pela sua beleza. Foi aí que o destino de férias da família passou a ser só um: o arquipélago português. “Passava quatro semanas, todos os verões, nos Açores desde 1984”, recorda a sueca. Logo na primeira visita a São Miguel, compraram um terreno em Vila Franca do Campo e, no ano seguinte, começaram a construir uma casa – casa onde Emilie habita hoje em dia.

Após 12 anos de “namoro” com a ilha, a família não resistiu e mudou-se, definitivamente, para São Miguel.

Emilie Smith, no entanto, não se fixou logo na ilha: primeiro esteve em Lisboa a tirar a licenciatura de Português Avançado. Quando a terminou, regressou para os braços do seu pai que se havia tornado cônsul da Suécia nos Açores.
A sueca enumerou uma lista de trabalhos em que se envolveu desde que assentou em São Miguel: “trabalhei no Bahia Palace como gestora de relações públicas”, “[ajudei o meu irmão com o seu] restaurante em Ponta Delgada”, “abri uma loja de missangas no Parque Atlântico”, “criei uma linha de bijuteria”, “organizei o Vintage Rally Azores com carros antigos vindos do mundo inteiro”, “sou consultora de embaixadores internacionais”, “trabalho numa imobiliária” e, por fim, dedicou-se ao alojamento local.

“Estava a viver na minha casa própria - a primeira casa que construímos cá e onde passava os meus verões desde os sete anos - (...) e construímos mais uma casa nessa quinta que era uma casa de hóspedes onde ficavam a família e amigos quando nos vinham visitar”. Entretanto, começou a achar que a sua casa era grande demais para si e mudou-se para a pequena (de hóspedes), deixando a maior para alojamento local. A empresária que investiu em Vila Franca descreve o seu alojamento como fantasticamente localizado, “fica mesmo de baixo da Senhora da Paz, tem um sossego maravilhoso e uma vista espetacular”.

Também Andrea Buonconsiglio aumentou o seu imóvel e aproveitou-o para alojamento local.

O italiano que comprou uma propriedade nos Mosteiros conta-nos que quando recebia amigos e familiares lhe diziam: “Tens uma propriedade tão grande (...) com uma vista, um panorama, espetacular. Devias partilhar com outras pessoas a quem podes alugar a moradia”. Foi, então, a partir do incentivo dos amigos que decidiu investir no alojamento local: “construí outra moradia dentro da mesma propriedade”.
Andrea Buonconsiglio, que deixou a Itália há cinco anos em busca de um “país lindo da Europa, onde pudesse ter uma vida sossegada e sem criminalidade”, confessa estar “muito feliz pomorar nos Mosteiros”, com a sua mulher. Contudo, deixa um alerta relativamente à falta de novas companhias a voar para a ilha: “o governo tem que fazer alguma coisa porque é preciso mais voos para os Açores. Se ninguém fizer nada até aos próximos anos, todos os alojamentos locais ficarão vazios. O número de pessoas que chega aos Açores é sempre o mesmo... não estão a chegar outras companhias para trazer turistas”.

Ryan Robinson é outro investidor que decidiu apostar no alojamento local por cá. Nascido na África do Sul, passou duas ou três vezes por São Miguel e decidiu ficar. O professor de inglês, que se diz muito viajado, refere que quando chegou há cinco anos viu potencial de investimento na ilha. “É um diamante em bruto! Eu sempre disse que, se houvesse companhias aéreas cá, o turismo nos Açores ia explodir, como na Madeira”, revela o sul africano. Ryan Robinson, que tem um apartamento em frente à Praia do Pópulo, não encara o inverno como uma ameaça ao seu negócio, porque os Açores “são um destino de natureza e as pessoas do norte da Europa não gostam de temperaturas muito quentes. Acho que [o apartamento] não vai ficar muito vazio durante o inverno”, frisa.

Também Judith e Thierry Clerc se aventuraram e mudaram-se para os Açores, após 20 anos a visitar as ilhas. O suíço Thierry Clerc trabalhou em diversas áreas como “na marinha, construção civil, restauração”, mas foi há três anos que decidiu realizar um dos seus sonhos: “instalar-se nos Açores”, menciona. Este ano o casal deu início ao negócio de alojamento local, oferecendo três quartos. Apesar de não recorrerem a publicidade, afirmam receber maioritariamente turistas francófonos.

Fonte: Açoriano Oriental