A empresa portuguesa Deimos Engenharia apresentou à Agência Espacial Europeia (ESA) um estudo de viabilidade técnico-económica para a operação de lançamento de pequenos satélites, com menos de 200 quilogramas, a partir da Malbusca, em Santa Maria.

O estudo AZUL - AZores uLauncher - que foi atribuído pela ESA em concurso e realizado em parceria com o fabricante de lançadores Orbex - conclui, segundo a Deimos Engenharia, que "é tecnicamente e financeiramente viável operar um serviço de microlançadores a partir de Malbusca, utilizando veículos pequenos, seguros e limpos, dentro de determinados pressupostos".

Como sublinha a empresa subsidiária da Elecnor Deimos em Portugal, os Açores oferecem diversas vantagens: "proporcionam acesso às órbitas comercialmente mais atrativas para estes satélites, oferecem condições vantajosas para gestão do espaço aéreo e marítimo, dispõem de clima melhor que outros possíveis locais na Europa, assim como condições de segurança necessárias para operações críticas como estas”.

Acresce a estes fatores, a existência de antenas de rastreio de lançamentos em Santa Maria, o que permite aumentar o retorno sobre estes investimentos públicos já feitos, adianta a empresa.

A Deimos Engenharia explica ainda que o que propõe para os Açores é a criação de um “porto espacial pequeno, limpo e seguro”, utilizando “lançadores de dimensões e tecnologias de propulsão limpas, como é o caso do Prime, e outros da mesma natureza”.

No seu entender, este “Espaço-porto” vai permitir não só “colocar Portugal no clube exclusivo das oito nações mundiais com acesso ao Espaço”, sendo “o único porto espacial da UE a menos de 1 500 km da Europa continental”, mas também poderá ter “um impacto socioeconómico importante”, com “a criação de empregos altamente especializados, estabelecimento de cadeias de fornecimento industriais, e exportação de serviços altamente diferenciados”.

Segundo Nuno Ávila, diretor-geral da Deimos em Portugal, “para se manter competitiva face aos EUA e à China, a Europa tem de rapidamente ter pequenos lançadores”. E estes, explica, “requerem uma base de lançamento na Europa”. De acordo com o diretor-geral da Deimos, “Portugal tem uma rara geografia que reúne condições para este tipo de atividade”, mas “há mais um ou dois locais na Europa que podem ser considerados”. Diz por isso que “é uma corrida” e “é de todo interesse agir já, com passos consistentes e coordenados entre indústria e instituições, e estabelecer rapidamente a posição nacional através dos primeiros interessados, se queremos estar a voar em três anos”.

A Deimos revela que já em 2009 identificou Santa Maria como base de aterragem para o veículo Europeu Space Rider, e que o estudo atual para a ESA comprova os Açores como local privilegiado ao nível europeu, e complementa o estudo da Universidade de Austin (Texas) sobre o mesmo local, adicionando, entre outros, conhecimento pormenorizado da região e da indústria europeia.

Para Chris Larmour, CEO da ORBEX, empresa que está a desenvolver o foguete “Prime”, “os Açores são o complemento ideal ao Reino Unido, onde o estabelecimento do porto espacial está mais avançado. Não só haverá clientes com preferência pelos Açores, como permitirá gerir os lançamentos que a empresa conta fazer à medida que a procura aumenta”. Mas deixa o alerta: “é importante que, tal como no Reino Unido, os apoios institucionais surjam atempadamente e que a regulamentação espacial portuguesa seja competitiva, como apontado no estudo para a ESA”.

Fonte: Açoriano Oriental