Fonte - Açoriano Oriental

 

“Na Universidade os alunos estão envolvidos com casos demasiado teóricos. Quando vamos para as empresas, vemos casos práticos e os alunos ficam mais entusiasmados. Esta ligação serve para resolver problemas das empresas e assim proporciona casos práticos à academia”.

Esta frase do professor José Baptista, investigador da Universidade dos Açores (UAç), sintetiza os benefícios bi-laterais da cooperação das empresas com as academias. Apesar das restrições têm sido feitas algumas investigações com resultados muitos interessantes e que dão conta de um potencial digno de registo em áreas que vão da Medicina à Cosmética.

Algumas das investigações mais interessantes foram as desenvolvidas por José Baptista, do Departamento de Ciências Tecnológicas e Desenvolvimento, com potenciais aplicações que vão desde o leite comum aos produtos com aplicação terapêutica.

Um leite de mais fácil digestão que também reduz a tensão arterial ou o uso de soro do leite para produzir álcool comum (etanol) que poderia ser usado, por exemplo, como aditivo ao combustível dos automóveis, são alguns dos resultados das suas investigações. Outros estudos de nota integram a polpa da beterraba, explorada pela Sinaga para a produção de Açúcar. “O que resta após extrair o açúcar é fornecido aos lavradores, que utilizam a polpa para suplementar a alimentação das vacas, que resulta em maior produção de leite”.

“Estudámos isso e verificámos que a fibra da beterraba é excelente para as pessoas. “Nós comemos pouca fibra e precisamos desta para reduzir a assimilação do colesterol, assim como para reduzir o risco do cancro do cólon.etc”, explicou.

“Achámos interessante fazer uma bolacha contendo fibra de beterraba, da mesma maneira que há no mercado bolachas de aveia. Fizemos a experiência comparando estas com bolachas comerciais e submetemos a um painel sensorial que elegeu a bolacha contendo a fibra de beterraba como a melhor... E no fim queriam repetir o teste, porque a bolacha era muito saborosa”, conta.

A UAç colaborou também com a produção de chá local, estudando a temperatura ideal para secagem das folhas. De momento está a investigar a possibilidade de extrair os polifenóis das folhas de chá produzidas no Outono e Inverno (que possuem elevadas propriedades antioxidantes) para uso na indústria cosmética.

José Baptista descobriu também que o chá regional é semelhante em teores de polifenóis totais a um produzido na província Fujian, China, com a diferença de conter três a quatro vezes menos cafeína, uma vantagem para as pessoas mais sensíveis. “Além de que cá não há pragas como fungos, o mosquito do chá ou mesmo a aranha vermelha” evidenciando esta vantagem.

O ananás local, por ser criado há mais de 140 anos em estufas de vidro é um bom exemplo de um alimento funcional, pois além do seu valor nutritivo possui um forte teor da enzima bromelaina.

Esta apresenta um grande potencial para reduzir o risco de algumas doenças cardiovasculares e mesmo cancro, devido ao elevado poder anti-inflamatório e antioxidante. “Estou convencido que a melhor bromelaína do Mundo está em São Miguel, porque não é fácil criar um ananás ao ar livre sem usar pesticidas. E cá praticamente não se usam”, explica.