“Não podemos iludir-nos que os Açores são Silicone Valley”
04-01-12
Fonte - Açoriano Oriental
“Ao contrário de outros tempos, hoje em dia já há uma grande vontade para que o trabalho dos investigadores possa ter uma aplicação na sociedade e na actividade das empresas", avança o Pro-Reitor para a Investigação, Armindo Rodrigues.
Sabendo-se que sem dinheiro, nada se faz, a questão do financiamento é essencial. “A investigação científica está absolutamente condicionada pela pressão do financiamento”, esclarece. “Não tenho qualquer dúvida que sempre que haja uma proposta séria, vão aparecer investigadores capazes de constituir equipas. Desde há muito que estabelecemos parcerias nacionais e internacionais”, esclarece.
Ainda sobre financiamento, há a questão da renitência dos empresários em investir na investigação. Apesar de o Governo Regional, por exemplo, apoiar linhas de investigação em contexto empresarial, que requerem apenas 15% de financiamento das empresas, são poucas as candidatas.
Outro obstáculo importante é o timing: o ritmo das empresas é um, e o das Universidades é outro, conforme explica o pró-Reitor. “As empresas têm que ter resultados a três meses, por exemplo. A investigação não tem esse timing, são projectos a três, seis ou dez anos. As universidades não se regem pelo fornecimento de respostas imediatas - isso transformar-nos-ia em meros prestadores de serviços, o que não é, de todo, a principal missão da universidade”, assevera.
“Também não podemos ter a ilusão de que a UAç é pequena e está numa excelente zona empresarial...” enumera ainda o investigador. “ O tecido empresarial está deprimido, e não estamos a falar de uma área como Aveiro, em que a universidade está inserida numa zona industrial fortíssima. Estamos a falar dos Açores. São o que são, gostamos deles mas não são o Silicon Valley (risos). Não tenhamos ilusões. Podíamos fazer mais? Podíamos. Mas não temos o mais dinâmico contexto empresarial à nossa volta”.
Apesar dos constrangimentos, Armindo Rodrigues opina que a universidade tem um papel fundamental a nível empresarial. “A nós parece-nos que as empresas que vingaram a nível nacional foram as que inovaram: no sector do calçado, dos têxteis, etc..” exemplifica. “Ou seja, essa colaboração existe, mas há espaço para muitíssimo mais, e nós cá estaremos para contribuir para o desenvolvimento dos Açores”.

